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Mães empoderadas

Quando o filho mais velho da advogada e doula Silvia Delman nasceu, o médico sugeriu que uma das pernas da criança fosse amputada. “Ele nasceu com encurtamento em uma das pernas e, segundo o médico, o problema não poderia ser corrigido e amputar seria a única solução. Fiquei inconformada e fui atrás de outra opinião”, conta a mãe ao revelar que conversou com mais de 10 especialistas diferentes para encontrar uma alternativa.

“Depois de muito pesquisar, achei um médico que conhecia uma técnica nova, ainda não muito difundida. Mesmo essa técnica sendo novidade na área da saúde na época, era uma cirurgia que poderia evitar que a perna do meu filho fosse amputada. Como já tínhamos o diagnóstico da amputação, não custava tentar outra alternativa. Fizemos e deu certo”, comemora a mãe ao explicar que atualmente a criança vive bem.

“Ele tem cinco anos e 100% de funcionalidade nas pernas. Já pensou se eu tivesse aceitado a opinião do primeiro médico? Hoje eu poderia ter um filho amputado se eu não fosse atrás de novas informações. Estou em grupos de mães e sempre trocamos informações e experiências sobre os cuidados com os filhos”, relata.

De acordo com estudo realizado pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Silvia pode ser considerada exemplo de um novo tipo de mãe que está surgindo nos consultórios dos pediatras brasileiros. São mulheres que não aceitam tudo o que o médico diz ou determina e argumentam, retrucam e só fazem o que consideram correto em cada caso.

“Elas são chamadas de mães empoderadas. Ou seja, mulheres que têm informação e conhecimento. Elas estão em redes sociais, conversam com outras mães e sempre buscam opiniões diferentes antes de tomarem uma decisão”, explica Simone de Carvalho, pedagoga responsável pela pesquisa da Unicamp que ouviu 200 mães.

“Mais de 80% das mães que participaram do estudo disseram que já tinham conhecimento prévio sobre as dúvidas que possuíam quando chegavam nos consultórios. A maior parte das informações surge através de buscas por textos científicos, sites institucionais nacionais e internacionais de órgãos de saúde e livros”, explica a pesquisadora ao contar quais são as fontes que as mães empoderadas buscam informações.

Ainda de acordo com Simone, essa mudança no perfil das mães brasileiras exige um novo tipo de comportamento por parte dos médicos.

“Os principais resultados da pesquisa demonstram que o atendimento pediátrico na visão das mães é avaliado de forma crítica. O atendimento do pediatra precisa acompanhar essa evolução”, conta a pedagoga.

E a advogada Silvia Delman concorda com a tese. “A informação hoje em dia está disponível para todos. Os médicos não podem mais subestimar as mães”, finaliza Silvia.
Silvia Delman com os dois filhos / Foto: Luciano Claudino/Código 19
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